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Reflexões sobre pesquisa, investimento e comunidade

Por dentro da ICLR 2026: bastidores da maior conferência de IA do mundo

No final de abril deste ano, o Rio de Janeiro sediou, pela primeira vez, uma das três maiores conferências acadêmicas de inteligência artificial (IA) do mundo: a International…

O que eu e um dos pais da Inteligência Artificial moderna fizemos juntos no Rio de Janeiro há alguns meses?

No final de abril deste ano, o Rio de Janeiro sediou, pela primeira vez, uma das três maiores conferências acadêmicas de inteligência artificial (IA) do mundo: a International Conference on Learning Representations (ICLR). Cinco dias, mais de 5.400 papers aprovados, cerca de 20 mil submissões e um nome que talvez você reconheça circulando pelos corredores do Riocentro: Yann LeCun, um dos pesquisadores mais influentes da história recente da IA e vencedor do Prêmio Turing.

Eu estive lá e gravei um vídeo te contando cada detalhe desta experiência. No vídeo, mostro como é a estrutura de um evento desse porte, desde keynotes, coffee breaks, sessões de pôsteres, tendências, preços, empresas patrocinadoras, workshops… até as mais variadas formas de networking. Usando uma ferramenta chamada Paper Copilot para analisa as palavras-chave dos papers submetidos, dá para ter uma boa ideia do que dominou a conferência: LLMs, reasoning, agentes, modelos de difusão, aprendizado por reforço e interpretabilidade.

Esta é a minha 4ª conferência internacional deste nível, por isso, consegui também fazer algumas comparações, inclusive com outros eventos já registrado no canal, como a Computer Vision and Pattern Recognition (CVPR) e a Special Interest Group on GRAPHics and Interactive Techniques (SIGGRAPH).

O peso da ICLR e a dificuldade em estar presente neste espaço

A ICLR não é uma conferência qualquer. Para você ter uma noção da sua relevância, foi neste fórum que trabalhos como o Variational Autoencoder, o otimizador Adam e os Vision Transformers foram apresentados ao mundo pela primeira vez.

Uma parte do vídeo que eu considero muito importante trata do custo de se participar de um evento desses e como isso afeta diretamente a presença de pesquisadores brasileiros nos palcos mais importantes do mundo. Olhando os dados por país, o Brasil aparece com apenas quatro trabalhos publicados por instituições nacionais — atrás de países muito menores, como a Suíça, que sozinha teve 119 papers!

A competição é altíssima, demandando que sejam submetidos trabalhos de alta qualidade. Por aqui, não tempos falta de gente boa, mas falta de investimentos em nossa gente. Bolsas de mestrado e doutorado no Brasil pagam valores incompatíveis com uma dedicação de tempo integral à pesquisa — enquanto em outros países, doutorandos conseguem viver exclusivamente da bolsa e produzir ciência de ponta.

A cereja do bolo? Não, o melhor pedaço!

Uma das coisas que mais marcou nessa experiência, no entanto, não tinha nada a ver com papers ou demo de empresas. Fiquei surpreso com a quantidade de pessoas da nossa comunidade que encontrei por lá — gente que me parou para tirar foto, que contou como um vídeo do canal foi um estímulo importante para começar um mestrado ou doutorado, que hoje está publicando ou caminhando nessa direção. Isso, pra mim, é a prova de que o trabalho aqui está fazendo sentido.

Se você é estudante, pesquisador ou só tem curiosidade sobre o que está acontecendo na fronteira da inteligência artificial — e sobre o lugar (ainda pequeno, mas real) que o Brasil ocupa nessa corrida — tenho certeza que este vídeo lhe será de muito valor. Assista ao vídeo completo abaixo:

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